Desenvolvida para explorar os chamados asteroides troianos de Júpiter, a sonda Lucy, da NASA, está se preparando para seu primeiro voo próximo de uma rocha espacial.

Ao todo, a sonda vai examinar 10 asteroides ao longo de 12 anos de missão: dois do Cinturão Principal (área circundante entre as órbitas de Martee Júpiter) e, posteriormente, oito troianos – uma nuvem de detritos rochosos presa gravitacionalmente ao planeta, que são considerados remanescentes da infância do Sistema Solar de mais de quatro bilhões de anos atrás. 

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Para quem tem pressa:

  • A missão Lucy foi desenvolvida pela NASA para estudar os asteroides troianos de Júpiter;
  • Acredita-se que essas rochas espaciais, presas gravitacionalmente ao gigante gasoso, sejam remanescentes do início do Sistema Solar;
  • Antes de chegar aos troianos, Lucy vai sobrevoar dois asteroides do Cinturão Principal como teste;
  • O primeiro deles é Dinkinesh, que será usado para testar o sistema de rastreamento da espaçonave.

Para investigar tantos corpos celestes em pouco mais de uma década de viagem, Lucy não vai parar ou orbitar nenhum deles. Em vez disso, a sonda vai coletar dados à medida que sobrevoar cada um.

Segundo a agência, em 1º de novembro, a espaçonave vai passar pelo asteroide Dinkinesh, de quem vai se aproximar a 425 km, em um teste que visa preparar seus instrumentos para examinar objetos semelhantes que circundam o Solna mesma órbita do gigante gasoso.

Terra vai servir como “estilingue” para sonda Lucy alcançar os asteroides troianos 

Antes de finalmente chegar aos troianos, Lucy ainda voará por outro asteroide do Cinturão Principal em 2025, chamado Donaldjohanson, para realizar testes adicionais dos sistemas e procedimentos.

Dinkinesh, particularmente, foi adicionado à agenda de Lucy como um exercício de mitigação de risco para testar a eficiência do sistema de rastreamento da espaçonave. Mais especificamente, se ela poderia manter a rocha em seu campo de visão enquanto plana a velocidades próximas a 4,5 km por segundo.

Desta vez, as observações científicas serão mais simples do que as que serão feitas nos principais alvos da missão. Depois de confirmar a saúde da espaçonave, os engenheiros comandarão Lucy para enviar dados científicos do encontro para a Terra, o que levará vários dias para ser concluído.

Diagrama mostra a trajetória do sobrevoo de Lucy pelo asteroide Dinkinesh. Crédito: Instituto de Pesquisa do Sudoeste (SwRI)

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Embora o objetivo principal do encontro com Dinkinesh seja um teste de engenharia, os cientistas da missão esperam também usar os dados capturados para obter insights sobre a ligação entre asteroides maiores do Cinturão Principal explorados por missões anteriores da NASA e os asteroides menores, próximos à Terra.

Após passar por Dinkinesh, Lucy continuará em sua órbita ao redor do Sol, retornando às proximidades da Terra em dezembro de 2024 para sua segunda assistência gravitacional. Este “empurrão” do planeta vai enviar a espaçonave de volta ao Cinturão Principal para sobrevoar Donaldjohanson e, dois anos depois, chegar aos asteroides troianos de Júpiter.

O nome Dinkinesh se traduz como “você é maravilhoso” em amárico, uma língua oficial na Etiópia, onde os fósseis de 3,2 milhões de anos de um ancestral feminino primitivo apelidado de “Lucy” foram descobertos, em 1974. Assim como os fósseis, aqui na Terra, lançam luz sobre a evolução humana, os cientistas acreditam que a espaçonave Lucy vai desvendar a história inicial do Sistema Solar.