Ao que tudo indica, nem a Administração Nacional da Aeronáutica e Espaço (NASA) está imune à nova onda de demissões que afeta a área tech. Segundo informações do Engadget, a agência espacial do governo dos EUA demitiu cerca de 570 funcionários de seu Laboratório de Propulsão a Jato (JPL) na Califórnia, o equivalente a 8% de sua força de trabalho. 

O que você precisa saber: 

  • A NASA justificou os cortes com a atual incerteza orçamentária; 
  • O Congresso dos EUA ainda não definiu o orçamento de 2024 da agência, sendo esse um dos principais motivos para o corte de gastos; 
  • A demissão em massa ocorre poucas semanas após o laboratório também congelar contratações — ao menos 100 contratos foram pausados; 
  • Funcionários foram avisados sobre a dispensa na quarta-feira (7); 
  • A redução reafirma os desafios para o projeto Mars Sample Return (MSR), a chamada ‘missão de retorno’ de Marte, já que sem orçamento, o plano pode ser cancelado (entenda mais abaixo). 

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Após esgotar todas as outras medidas para se ajustar a um orçamento mais baixo da NASA, e na ausência de uma dotação do Congresso para o ano fiscal de 24, tivemos que tomar a difícil decisão de reduzir a força de trabalho do JPL por meio de demissões. Os impactos ocorrerão nas áreas técnicas e de suporte do Laboratório. Estes são ajustes dolorosos, mas necessários, que nos permitirão aderir à nossa alocação orçamentária enquanto continuamos nosso importante trabalho para a NASA e nossa nação. 

NASA em comunicado. 

Orçamento curto e o impacto no MSR 

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Embora tenha solicitado US$ 950 milhões em sua proposta de orçamento para 2024, a expectativa é que a NASA receba apenas US$ 300 milhões, que terão como foco o projeto Mars Sample Return (MSR), a chamada ‘missão de retorno’ na qual a agência planeja lançar e trazer de volta ao solo um módulo de pouso com coletas de rochas e poeira de Marte.  

O plano original é que o lançamento ocorra em 2028, e o retorno à Terra em 2033, mas desafios devido ao alto custo da missão tem colocado o projeto em um patamar considerado inviável.Saiba mais aqui sobre a missão MSR!  

Ainda não temos uma dotação para o EF24 ou a palavra final do Congresso sobre nossa alocação orçamentária do MSR. Estamos agora em uma posição em que devemos tomar medidas adicionais significativas para reduzir nossos gastos. Na ausência de uma dotação, e por mais que desejemos não precisar tomar esta ação, devemos avançar para nos proteger contra cortes ainda mais profundos mais tarde, caso tenhamos de esperar. 

Laurie Leshin, diretora do JPL, em memorando.

A NASA ainda não forneceu uma estimativa completa do custo do MSR, mas um relatório independente fixou o preço entre US$ 8 bilhões e US$ 11 bilhões — bem acima do recomendado. O subcomitê de dotações (crédito orçamentário) do Senado dos EUA ordenou que a agência apresente um plano de financiamento anual para o MSR. Caso ela não apresente o cronograma, a missão poderá ser cancelada. 

Vale pontuar que os desafios ante ao projeto, em desenvolvimento há décadas, ocorrem há algum tempo. A NASA já havia anunciado uma redução do trabalho associado em janeiro deste ano, além de um congelamento de contratações para o Laboratório de Propulsão a Jato da NASA — ele gerencia o MSR.